May 21st, 2010

Você sabe explicar para um profissional demitido o que é e para que serve o OUTPLACEMENT?

Demissão.
Uma palavra pesada, um momento difícil e constrangedor que envolve sentimentos de perda, rejeição e até mesmo a dor da traição. Os americanos, eufêmicos por natureza, até tentam amenizar a carga negativa com o termo let go – liberar, deixar ir embora. Após receber a notícia, o demitido é encaminhado para o departamento de Recursos Humanos, onde ouvirá as instruções de como proceder e as questões práticas e financeiras do processo de desligamento. É nesse momento que muitas empresas oferecem para alguns de seus ex-funcionários um programa de OUTPLACEMENT.

O termo em inglês é imponente e auto-explicativo, mas será que todos sabem explicar o que é e o que acontece em um programa de OUTPLACEMENT?
Antes de entrar na explicação sobre OUTPLACEMENT, com exemplos do que acontece durante o respectivo processo, é imprescindível entender o que passa na mente da pessoa que acaba de perder seu emprego. A demissão está entre as 10 situações mais estressantes vividas por um indivíduo, considerada mais trágica do que momentos de doença na família ou a perda de um amigo querido! Como acontece em toda perda, o indivíduo passa por estágios de sofrimento.

Conheça os estágios de sofrimento após uma demissão.
Primeiro vem a negação, quando a pessoa simplesmente não acredita que sua situação é definitiva. Pensa que o chefe vai se arrepender e chamá-lo de volta, que o chefe-do-chefe vai achar um absurdo e ordenar a sua reintegração, etc. Neste breve período a ficha ainda não caiu e a pessoa, anestesiada pela surpresa, não sentiu o real impacto da situação. No final deste estágio, a pessoa tende a se isolar, talvez até um pouco envergonhada com sua situação. Em seguida vem a raiva. O sentimento de injustiça, as justificativas – geralmente externas – para o que acaba de lhe acontecer. É nesse momento que muitos ex-funcionários cometem grandes erros, enviando e-mails mal-criados para o departamento de RH, desabafando com qualquer um, falando mal da empresa nas redes sociais, acusando chefes e colegas e, em situações extremas, ameaçando ou agredindo o ex-chefe vilão. Alguns ficam com raiva de si mesmos e podem até adotar comportamentos auto-destrutivos – bebedeiras, envolvimento com drogas, etc.

Passada a raiva, vem o estágio da barganha, uma tentativa de negociar uma saída desta situação tão desagradável, geralmente com o próprio chefe que o demitiu. Prometo que vou mudar! Será que não dá para eu continuar prestando serviços como consultor até você achar quem vai me substituir? Há também momentos de negociação com Deus, através de promessas: Eu nunca mais vou fazer isso ou aquilo se eu tiver meu emprego de volta, ou se achar um outro emprego agora… Quando nada acontece, vem a depressão. Aquele sentimento de que nada vai funcionar, uma total falta de esperança. A tristeza e o desespero atacam quando o indivíduo, que não dormiu nada à noite, levanta pela manhã e vê a casa funcionando normalmente, filhos indo para a escola, a esposa se arrumando para o trabalho…os pedidos inusitados para afazeres domésticos – Afinal, você não está fazendo nada! – ou então a total solidão de uma casa vazia. As contas continuam chegando e o dinheiro saindo. É o momento mais crítico! Dependendo do temperamento da pessoa e da sua estrutura de suporte – família, amigos, especialistas – pode ser uma fase breve ou longa demais. Quando enfim superada a depressão, o indivíduo começa, aos poucos a aceitar sua situação. É a fase do recomeço, da volta por cima. Começa a pensar mais claramente sobre o que precisa ser feito, adota uma postura mais prática e realista. É neste estágio que a pessoa se torna mais equilibrada e provavelmente mais propensa a fazer um jobsearch ativo e efetivo. Mas aí, muito tempo pode ter passado e muitas pessoas, não só o demitido, sofreram no caminho.

Então, onde entra o OUTPLACEMENT?
Há quem defina – erroneamente – o OUTPLACEMENT como um serviço para arranjar emprego para quem foi demitido. É claro que o resultado final esperado é a recolocação do indivíduo, mas esta é a conseqüência de um processo que tem mais a ver com os estágios de sofrimento acima descritos do que propriamente com o novo emprego a ser conquistado. O consultor de OUTPLACEMENT tem como prioridade ajudar o profissional a passar pela experiência de forma mais focada e produtiva, entrando exatamente no momento da negação, evitando o isolamento e a progressão para os estágios de sofrimento que paralisam o indivíduo. Uma pessoa que aceita o programa de OUTPLACEMENT oferecido dificilmente terá as explosões emocionais da fase da raiva ou se perderá em conflitos e comportamentos auto-destrutivos. Além disso, são menores as chances de entrar em depressão.

Na prática, o que acontece durante o programa de OUTPLACEMENT?
Durante o programa, o profissional receberá coaching sobre como articular seu perfil profissional e seus talentos, a postura ideal em entrevistas e como atualizar seu curriculum vitae para torná-lo mais atraente. Também receberá dicas de liderança e relacionamento interpessoal, além de ser orientado sobre como proceder em seu jobsearch. A empresa de OUTPLACEMENT irá disponibilizar recursos bem práticos para o jobsearch – como banco de vagas e listagem de headhunters e profissionais de RH – facilitando a vida do profissional em busca de recolocação. É realizado em ambiente profissional, fora da residência, em escritório com mesa individual, computador ligado à internet e um ramal de telefone. Desta forma o dia-a-dia do profissional em busca de emprego é dinâmico, como se ainda estivesse empregado. Não há aquela sensação de freada brusca que a demissão proporciona. Com tudo isso, o profissional não se isola nem se desconecta. Permanece focado e envolvido com sua carreira, tomando as rédeas de sua busca por uma recolocação.

Por fim, uma coisa muito boa acontece: além de ficar mais próximo da conquista do seu novo emprego, o profissional é estimulado a refletir, ler e estudar, aproveitando esta fase para se atualizar e incrementar seu conhecimento, retomando hábitos saudáveis, muitas vezes abandonados na correria do rat-race.


Milene Laube Dutra

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