January 29th, 2010

Propaganda Oficial: Fonte de Roubalheira

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100129/not_imp503352,0.php

Comentário do editor:

A propaganda oficial tem que acabar. Governo e estatais não têm que fazer propaganda, ponto final. O governo pode fazer toda sua comunicação por internet, com produção in-house. A única exceção seriam situações de emergência, quando a comunicação seria gratuita. Faz décadas que há indícios de roubalheira nas licitações da Petrobrás, Banco do Brasil e outras. Agência "Que" ? Nunca ouvi falar. Agência "Heads"? Que porcaria é isso?

Licitação da Petrobrás sob suspeita

Agências de publicidade questionam vazamento da lista de vencedores em processo de R$ 250 milhões

Kelly Lima e Marili Ribeiro

O vazamento antecipado de informações sigilosas colocou sob suspeita a licitação para a escolha das agências publicitárias da Petrobrás, maior contrato de uma empresa pública no País, em torno dos R$ 250 milhões. Os nomes das três primeiras colocadas na primeira etapa da licitação, as agências Heads, Quê e Dentsu, foram publicados no site Propaganda & Marketing às 11h51 de ontem, mais de duas horas antes da abertura dos envelopes com as propostas, marcada para às 14 horas.

O episódio cercou o processo de desconfiança, gerando muitas críticas de membros das outras empresas concorrentes, que tiveram pontuação menor e podem pedir a suspensão da licitação. Em comunicado distribuído na noite de ontem, a Petrobrás informou que a concorrência seguirá seu curso normal, com a etapa seguinte: a avaliação da capacidade de atendimento das companhias concorrentes e a proposta comercial. Nessa primeira etapa, que vale 70 pontos, foram avaliadas as propostas técnicas. Na próxima estão em disputa os 30 pontos restantes.

Foram 18 agências que concorreram e os melhores resultados na etapa foram da Heads (60,9 pontos), Dentsu (55,7) e Quê (54,6). As duas primeiras já têm a conta da estatal e lutam pela renovação. A japonesa Dentsu, segundo publicitários, não tem endereço no Rio, o que poderia torná-la irregular pelas exigências do edital.

Fonte da Petrobrás diz que "não havia a menor possibilidade de o site ter conhecimento dos nomes das empresas vencedoras do processo antes da abertura das propostas". Isso porque os nomes ficariam desconhecidos da comissão de licitação até a abertura dos envelopes na sessão pública de ontem à tarde. As propostas são analisadas em envelopes numerados. Para alguns publicitários, isso pode indicar um jogo de cartas marcadas. Em tese, tanto a comissão técnica como as 18 agências envolvidas no processo de licitação teriam acesso à informação sobre a primeira etapa do processo de concorrência somente ontem à tarde.

"Não foi uma questão de vazamento de informação", diz um dos participantes. "Os envelopes estavam lacrados. Logo, ou o jornalista deu uma sorte enorme ao chutar com tanta precisão, ou as agências que deveriam ganhar a concorrência tinham seus números de identificação conhecidos e obtiveram as melhores notas." As agências pediram à comissão de licitação que constasse em ata que o resultado havia sido divulgado antecipadamente pela imprensa.

Na nota publicada no site não há referências às notas atingidas: "As três agências, segundo fonte do propmark que acompanha o processo de perto, foram as mais bem pontuadas na etapa técnica da licitação encerrada na última quarta-feira." A editora Referência, dona do site, informou que as agências teriam recebido da Petrobrás, individualmente, as notas técnicas atingidas. Agências consultadas dizem que não conheciam sua pontuação.

"Se é verdade que isso aconteceu, é inaceitável, e a Petrobrás deve sim proceder o cancelamento dessa concorrência e fazer um novo processo de licitação", diz Sergio Amado, presidente do Grupo Ogilvy no Brasil.

Posted via email from Rápidas do Pensando Marketing

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