November 26th, 2009

Stand Out – Seja um Profissional Diferenciado

standout

When you reach for the stars, you may not quite get one, but you won’t come up with a handful of mud, either. 

Leo Burnett, ex-chairman da Leo Burnett Company, Inc. 
 

 

Atributos e qualificações profissionais ontem valorizados e reverenciados pelo mercado de trabalho, como fluência em mais de um idioma, mestrado em administração de empresas, experiência adquirida em empresa multinacional, exposição internacional, estabilidade empregatícia, domínio da tecnologia da informação em nível de usuário, entre tantos outros,  transformaram-se rapidamente em commodities na última década. Eles não são mais fatores de distinção e diferenciação para aqueles que ambicionam empreender uma carreira de sucesso. Portanto, profissionais que vivem apenas das conquistas obtidas no passado ou no presente, poderão ficar fora do jogo e perderão as oportunidades do futuro que já chegou. 

Infelizmente, muitos profissionais ainda hoje estão pensando em “estabilidade empregatícia” em vez de mirarem as estrelas – as novas oportunidades oferecidas pela economia global. Portanto, eles preferem viver em um mundo que não existe mais; parecem temer mais a vida do que a morte, o desenvolvimento pessoal do que a estagnação profissional, a cultura do que a mediocridade, a visibilidade do que o anonimato, a renovação pessoal do que tirania do status quo.  

No novo ambiente das organizações e do trabalho, as mudanças são bruscas, intensas e profundas, todos sabemos. Elas deixam a maioria dos profissionais desorientados, perplexos, inseguros e confusos. Como escreveu Warren Bennis, consultor norte-americano, “Se você não está confuso é porque você não sabe o que verdadeiramente está acontecendo ao seu redor”. 

Vejamos algumas dessas mudanças: 

  • A média de permanência dos indivíduos nas organizações vem se reduzindo significativamente nas últimas décadas. Hoje, os empregados mudam de posição a cada dois anos; de empresa a cada três e de segmento a cada quatro anos. Há consultores que prevêem que ao longo de uma carreira os profissionais poderão mudar até oito vezes de empresas e até cinco de carreira.

 

  • Líderes corporativos estão mudando de companhia a cada 3.6 anos, segundo pesquisa realizada em 2005 pela  ExecuNet. Em 2002, esse numero era de 4.1 anos. Para outras posições, como por exemplo, diretor de marketing, o tempo de permanência é ainda menor, 2.0 anos apenas, segundo pesquisa conduzida pela multinacional de consultoria Spencer Stuart. O motivo é muito simples, a pressão dos investidores e acionistas por resultados robustos e rápidos. Não há tempo a perder. Se não entregar os resultados esperados, não ficará esquentando a cadeira. É demitido sumariamente sob a justificativa marota e hipócrita: “Nosso presidente resolveu deixar a empresa para empreender projeto de vida e carreira pessoal”.

 

  • Em uma sociedade gerenciada por projetos – “Project- based world”- valores como lealdade, estabilidade empregatícia, carreira executiva planejada pelas organizações, foram deixados para trás. A nova lealdade é ao projeto em execução ou a ser executado. Se esses não produzem os resultados esperados – “lucros” – ele são imediatamente cancelados e seus gestores demitidos. Isso não é segredo para profissionais bem informados e comprometidos com o avanço de sua carreira. Um bom exemplo desse modelo de gestão é o consagrado programa de televisão “O Aprendiz”. Toda semana, um de seus players deixa o programa à contra gosto. O Aprendiz reflete o novo mundo do trabalho, onde o profissional como dizem os norte-americanos, “You’re only as good as your last project”. Você poderá ter um desempenho muito superior aos seus colegas durante uma semana, mas você não tem nenhuma garantia de que os superará novamente na próxima. Portanto, quando tudo ao seu redor muda constantemente, como no “O Aprendiz”, a melhor estratégia a ser usada não é a do conformismo, mas a de se destacar todos os dias em tudo o que faz. Criar, aprender, crescer, se renovar e aparecer – manter-se no radar da alta administração e do mercado.

 

  • As empresas continuarão demitindo e substituindo homens por máquinas – é a busca frenética por eficiência, velocidade, produtividade e lucratividade. Essa é uma realidade no mundo inteiro. As palavras da Harvard Business Review em 1954, “A Utopia da produção automática é inerentemente plausível”, é uma realidade.

 

  • Os profissionais trabalharão cada vez mais, apesar do discurso de “qualidade de vida” e da importância de sincronia entre vida pessoal, familiar e profissional. Nos EUA em 1969, profissionais com idade entre 24 e 54 anos trabalhavam em média 56 horas por semana. Em 2002, esse número cresceu para 70 horas. No Brasil, 70 horas de trabalho é coisa corriqueira no mundo executivo. É sabido que estamos plugados 24 horas por dia, 7 dias na semana, 365 dias ao ano. Afinal, quem nunca ouviu sobre um superior imediato que envia e-mails às três horas da manhã (e, se possível, aguardando resposta) para um ou mais de seus subordinados solicitando informações? Ou de um diretor que liga para sua secretária às cinco da manhã para perguntar sobre seus compromissos para aquele dia? 

 

  • Forças globais continuarão a afetar nossa vida pessoal e profissional e a tecnologia prosseguirá avançando em todos os campos do conhecimento humano, maravilhando-nos a cada instante. Eis um bom exemplo desse avanço: a Microsoft e a Google pretendem ser pioneiras na criação de intefaces “ser humano-computador com finalidades lucrativas. Em 2004, a Microsoft recebeu a patente de um “método e aparato para transmitir energia e dados usando o corpo humano. Essa tecnologia transformará a pele em um novo tipo de aparelho elétrico ou “ônibus” que pode ser usado para conectar “uma rede de aparelhos plugados a um único corpo humano”. Será que estamos a caminho da leitura da mente humana? Será que um dia poderemos vasculhar a mente humana à procura de informações de que necessitamos para realizar o nosso sonho de controle?

 

  • O trabalho por si só  não será capaz de alçá-lo a vôos mais altos, a conquista de novas promoções, a aumentos salariais significativos, a posições de liderança e de reconhecimento, quer interna ou externamente.   

 

Nesse novo ambiente, o melhor mesmo é removermos os antolhos de nossos olhos e de nossos colaboradores, antes que seja tarde demais. Vamos falar abertamente a verdade e encarar essa nova realidade com destemor, criatividade, determinação e autoconfiança. Se agirmos com maturidade e sabedoria, o universo do trabalho se tornará muito melhor, mais agradável e mais apaixonante, porque os indivíduos aprenderão a navegar em mar revolto.  

Caro leitor, se você deseja verdadeiramente se diferenciar – “Stand Out” – de seus concorrentes, você terá de criar, gerenciar e atualizar sua marca pessoal – “Personal Branding” – todos os dias. As velhas estratégias de carreira sucumbiram. 

Além disso, você terá de lembrar que a criatividade superou a lealdade; a individualidade tomou o lugar do conformismo e da complacência; a pró-atividade sobrepujou a hierarquia e a burocracia; o conhecimento e a sabedoria desalojaram os profissionais de mentes medíocres. Portanto, não espere que as oportunidades surjam, crie-as; não fique sentado em sua mesa de trabalho esperando que seu chefe o promova, faça você mesmo a sua promoção – marketing pessoal; não fique esperando que o brilho de sua carreira entre em declínio, mexa-se com rapidez. 

Na Era da Cultura Corporativa do Aprendiz, vencem aqueles profissionais que apresentam desempenho excepcional, coerente e consistente todos os dias. Aqueles que fugirem desse padrão e regra serão dispensados das organizações por um único e bom motivo, eles não agregam valor nenhum. Portanto, são plenamente dispensáveis.    

(continua no próximo artigo a discussão desse tema)

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