November 17th, 2009

O Que Torna Jovens Comuns Em Profissionais Excepcionais

 

 

Por Gutemberg de Macedosoldier

“Fazer a coisa comum extraordinariamente bem traz o sucesso”

Henry J. Heinz, fundador e ex-CEO da Heinz Corporation, 1844-1919

“Quanto maior a corporação, maior é a probabilidade de um office-boy empreender carreira de sucesso se ele for feito do estofo certo, se ele perseverar e estiver determinado a dominar cada posição ao longo do caminho”.

George W. Perkins, ex-vice-presidente da New York Life, 1862-1920

Certa ocasião, o empresário norte-americano J. Paul Getty (1892-1976) foi abordado por um jovem profissional que desejava saber como ele poderia se tornar excepcional, isto é, alcançar o sucesso e fazer uma fortuna pessoal. Getty, ao observar sua sinceridade, respondeu: “Não lhe posso dar fórmulas mágicas e infalíveis, meu jovem, mas tenho certeza de uma coisa. Você progredirá muito mais se parar de se parecer e agir como todo mundo em Madison Avenue, em Wacker Drive ou Wilshire Boulevard. Procure ser um não conformista. Seja um individualista – seja você mesmo. E você se surpreenderá como vai progredir muito mais rapidamente”.

Essa história ilustra de maneira real o pensamento que povoa a mente de milhares de jovens no Brasil e ao redor do mundo. A grande maioria deles vem de berço comum sem vantagens tão evidentes no seu início de carreira – como pode um jovem comum se tornar um profissional excepcional? Eu mesmo, em razão de meu trabalho consultivo, tenho estudado centenas e centenas de biografias de homens e mulheres excepcionais em seu campo de atividade em busca de respostas satisfatórias e convincentes para essa inquietante e perturbadora questão. Entretanto, tenho de confessar que quanto mais eu estudo, leio e pesquiso sobre esse assunto, mais me conscientizo de que a excepcionalidade profissional é um caminho distinto e individual. Portanto, nenhum outro indivíduo pode cloná-lo, copiá-lo ou repeti-lo, por mais que deseje ou tente. É pura perda de tempo, de energia e de esforço tentar fazê-lo. Por uma simples razão: todas as coisas estão em permanente transformação. As circunstâncias, as exigências, os objetivos e os motivos que os agitavam ontem, são totalmente diferentes daqueles do dia de hoje e serão também completamente distintos do dia de amanhã. Não há repetições. Não há dia igual ao outro por mais que pareçam iguais. A natureza não tolera a mesmice.

Que pese essa minha observação, não podemos negar que os jovens comuns que se tornaram profissionais excepcionais apresentam um padrão de comportamento que em muitos casos se assemelham, mas infelizmente não podem ser duplicados. Cada um é diferente em alguma coisa:

Eles são competitivos, individualistas, inconformistas e impacientes por natureza. Portanto, como observou Getty, “eles não podem se permitir imitar os outros ou comprimir seus pensamentos e ações em moldes vulgares e desgastados. Eles precisam ser empreendedores criativos, originais, engenhosos e totalmente autoconfiantes”. Todo profissional excepcional é um jovem comum com extraordinária visão sobre sua capacidade e competência para mudar o seu próprio destino e interferir na ordem das coisas. Vejam os exemplos dos jovens Albert Einstein, Henry Ford (Ford) Andy Grove (Intel), Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple), Alfred P. Sloan (GM), e tantas outras figuras que revolucionaram o mundo.

Eles nunca revelam, parcial ou totalmente, o que estão pensando e que caminho trilharão. A sua mente é uma incógnita e o segredo é a sua arma mais poderosa. Daí porque, muitas vezes, as pessoas dizem: “Você nunca sabe o que eles estão pensando fazer”. Sim, elas não sabem o que eles desejam empreender, mas eles sabem perfeitamente para onde estão indo e o que desejam conquistar – eles estão trabalhando em busca de sua nova promoção sempre. E o caminho que eles preferem fazer é, na maioria das vezes, o menos trilhado.

Eles não desperdiçam tempo e, muito menos, energia procurando saber o que os seus concorrentes estão pensando ou fazendo. As suas prioridades estão sempre relacionadas às suas idéias e a sua própria maneira de desenvolvê-las e empreendê-las. Isso não significa que eles não estão abertos à ouvir e considerar novas idéias e opiniões. Sim, eles ponderam todas, mas acabam sempre privilegiando as suas próprias por serem mais compatíveis com os seus valores e projetos pessoais. Infelizmente, é muito comum no mundo corporativo os profissionais perderem tempo procurando decifrar o que os seus concorrentes estão pensando e quais serão seus próximos movimentos. O melhor mesmo é que concentrem todos os seus esforços e energia em seus projetos atuais e futuros. Se agirem assim, estarão sempre à frente de seus concorrentes.

Eles são capazes de compreender as tendências atuais e futuras com poucas informações a sua disposição e transformá-las em riqueza, qualquer que seja a sua natureza. Eles dão muito valor à própria percepção das coisas e a experiência adquirida; confiam mais em si mesmos e não se perdem com as referências e interferências externas; têm modelos, mas acreditam essencialmente na própria capacidade de mudar as coisas. Como escrevemos em trabalho anterior, o profissional “on the fast track” não espera pelo dia de amanhã. O seu mundo é o aqui e o agora. Esse é o único tempo que ele tem a sua disposição. Nesse sentido são eloquentes as palavras de John Adams, “a genialidade é concedida ditatorialmente pela natureza a um indivíduo. E por trás de cada avanço da humanidade está o germe da criação crescendo na mente de algum indivíduo solitário, um indivíduo cujos sonhos o despertam no meio da noite, enquanto outros dormem profundamente. É ele o homem indispensável”.

Eles são simples e odeiam a complexidade gerada pela burocracia medíocre, ineficaz e morosa. Suas mentes estão completamente livres das místicas ridículas do conformismo tão presente nas grandes organizações privadas e nas instituições públicas. Eles confiam mais em seu próprio julgamento do que em pesquisas, estudos e reuniões de comitês. Por outro lado, eles não recorrem aos manuais de regras e procedimentos, porque sabem que cada situação de negócios é diferente da outra e nem mil volumes poderia conter regras suficientes para cobrir todas as contingências e exigências, como observou Getty. Eles sabem que as regras foram criadas para serem quebradas. Eles, ainda, descomplicam ao máximo sem serem superficiais; são intuitivos, têm métodos, mas não se prendem a eles; usam as ferramentas tecnológicas como elas devem ser usadas: apoio e não religião ortodoxa – “pensam fora da caixa”. Aqui, vale a pena pensar nas palavras de Crawford H. Greenewalt (1902-1993), ex-presidente da Dupont, “Não apenas a organização, mas a própria sociedade sofre quando se permite que as pessoas sacrifiquem sua identidade nos úmidos porões da mediocridade”.

Eles enxergam os problemas e as soluções correspondentes sob um novo ponto de vista. Além disso, eles compreendem que nem sempre são as grandes idéias que geram as melhores soluções e os melhores dividendos; dão importância a qualquer tipo de idéia que tenha aplicação no trabalho e/ou nas relações. Eles nunca descartam o óbvio.

Eles não têm apego e estão sempre dispostos a mudar. São práticos e fazem o que é necessário. Assim não criam resistências para si mesmos ou para aquelas pessoas que os cercam. Essa qualidade os libertam da impotência diante da sorte e torna-os mais perceptíveis e abertos à realidade, ficando assim atentos às circunstancias. Nesse caso, como observou Poppy King, “Sucesso não tem uma linha de chegada”.

Eles nunca desprezam a força dos detalhes, visto que sabem que são eles que constrõem os grandes impérios. Qualquer pessoa que visite os parques construídos pelo genial empresário norte-americano, Walt Disney, observará o valor que ele dava aos detalhes. Daí o fascínio que os parques exercem sobre seus visitantes. A falta de atenção aos detalhes pode se transformar em tragédia, custar bilhões de dólares e matar muitas pessoas. Um bom exemplo e o qual ilustra essa afirmação foi a explosão da nave espacial “Challenger”. Ela explodiu porque um pequena peça de borracha comprada ao preço de 15 centavos de dólar não funcionou adequadamente em baixa temperatura. Consequência: vários astronautas e cientistas brilhantes morreram e um programa espacial de bilhões de dólares entrou em descrédito.

Meu caro leitor, se você ambiciona sair do lugar comum, o lugar e ambiente dos medíocres, e se tornar um profissional excepcional, sugiro que você tome as seguintes providências:

Leia e estude a biografia de jovens comuns que se tornaram profissionais excepcionais: Robert Wood Johnson, Henry J. Heinz, Thomas Mellon, Andrew Carnegie, Howard Schultz, Jack Welch, Bill Clinton, Barack Obama, Ross Perot, Margareth Mead, Robert Maynard Hutchins, Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer, Walt Disney, Olavo Setúbal, Amador Aguiar, Norberto Odebrecht, José Alencar Gomes da Silva, entre inúmeros outras figuras.

Torne-se a maior autoridade em seu campo de atividade. Leia todos os clássicos já publicados em sua área de trabalho; pesquise e discuta com pessoas que você admira e que são consideradas pela comunidade como sendo pessoas de elevado nível de conhecimento e sabedoria. Não tenha medo da ignorância. Tenha medo, sim, de não poder superá-la o mais rápido possível. Lembre-se das palavras do médico e sábio judeu, Maimônides, “aquele que não aumenta os seus conhecimentos os diminui; quem não se quer instruir não é digno de viver”.

Desenvolva tanto o homem como o profissional. Não deixe que o segundo prevaleça sobre o primeiro por muito tempo. Se o fizer, pagará altíssimo preço. Portanto, eles têm de caminhar com as mãos dadas ou se preferir, como siameses. Nada é mais sublime do que uma vida verdadeiramente sincronizada. Uma vida vivida em equilíbrio é um passaporte para o crescimento e o sucesso em todas as esferas da vida – pessoal, familiar e profissional.

Invista na construção de uma reputação pessoal e profissional sólida e diferenciada. Nos últimos anos, temos assistido o descarilhamento e destruição da carreira de inúmeros profissionais no mercado brasileiro em todos os campos do conhecimento humano – religioso, acadêmico, político, empresarial e científico. Homens e mulheres que até então desfrutavam de grande prestígio e respeitabilidade. Entretanto, um simples descuido os jogaram nas profundezas do inferno perante a opinião pública. Há uma expressão em inglês que diz: “Unless you enjoy playing Russian roulette with five bullets, never cheat on your expense account”. O mesmo poder-se-ia dizer de tantos outros comportamentos que inviabilizam uma carreira excepcional.

Deixe seu emprego no momento em que perceber que já não ama mais seu trabalho. Você precisa ser realista e racional nesse sentido. Evite a procrastinação a todo preço, pois quanto mais tempo você deixar passar, mais se desgastará e se afundará. Sua carreira está sobre areia movediça. Ah, como é triste ver um homem ou uma mulher vendendo sua alma ao diabo simplesmente porque precisa desesperadamente de um salário no final do mês. Atualmente, existem milhares de profissionais em nossas organizações vivenciando essa situação, por mais constrangedora e mortífera que ela seja. Eles não têm coragem para bradar o grito de liberdade. Eles preferem as algemas de ouro. Não é a toa que muitos se encontram verdadeira e literalmente doentes. Eles, cada dia e cada vez mais, se afundam no charco da insensatez.

Faça o caminho menos trilhado. Larry Norman (com desculpas a Robert Frost) escreveu: “Encontrei uma bifurcação na estrada de minha vida, ouvi um sábio dizer. Tomei o caminho menos trilhado, e isto tem feito diferença todos os dias e todas as noites”.

Caro leitor, qualquer que seja a sua situação, ainda há tempo para você mudar o jogo – sua vida e carreira. Não se comporte como o soldado da obra, “O Deserto dos Tártaros”, do escritor italiano Dino Buzzati (1906-1972).

Segundo ele, um jovem militar é designado para servir numa fortaleza nas montanhas, solitária, quase esquecida, que em tempos remotos foi uma importante defesa contra os tártaros. Nesse lugar isolado e distante da cidade, o jovem militar, de cima das muralhas, contempla o deserto imaginando e ansiando pelo dia da batalha, o grande dia em que um fato notável justificará sua vida. Seus olhos se cansam de vasculhar o horizonte. Os tártaros não vêm. O cotidiano transcorre medíocre, o tempo vai passando, mas o soldado não consegue deixar o forte e mudar sua vida.

Essa história é o protótipo da vida de milhares de jovens que ingressam em nossas organizações na esperança de desenvolverem carreira profissional de sucesso, mas que comumente acabam empreendendo uma carreira medíocre apenas. Eles não se destacam em nada e ficam murmurando que a empresa ou o chefe não lhes deram nenhuma oportunidade.

Mas o que eles fizeram ou fazem de errado? Eles ficam completamente paralisados, aceitam as coisas como elas são e ficam esperando que um dia, um chefe qualquer, olhe para eles e os resgatem da mediocridade cotidiana. Pobres jovens!

Prezado leitor, se você aspira uma carreira profissional excepcional, mexa-se e mexa-se rápido. Não fique esperando por dias melhores. Esses melhores dias podem nunca chegar para você. A carreira executiva é muito curta. Do primeiro estágio (fase da preparação) ao último (fase da plena liderança) são apenas 17 anos. Portanto, fique esperto e corra. Afinal, esperar não é saber. É morrer lentamente.

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