October 13th, 2009

Oito Segredos de um Job Hunter de Sucesso

job-hunter-imagePor Gutemberg B. de Macêdo

“Strategy without tactics is the slowest route to victory. Tatics without strategy is the noise before defeat”.

Sun Tzu, estrategista militar chin̻s, 544 Р496 a.C.

Durante os últimos 30 anos, tive a oportunidade de aconselhar e acompanhar cerca de quatro mil profissionais – de gerentes a presidentes – em processo de recolocação no mercado de trabalho, transição de carreira também conhecida no mercado pelo nome de outplacement. Este é sabidamente um momento delicado e difícil para a pessoa que, de uma hora para a outra, se vê sem o seu trabalho. É como se o chão desaparecesse bem debaixo dos seus pés. Surge a dúvida em relação ao futuro e à própria capacidade de se recolocar e de recomeçar uma nova trajetória de sucesso em outra empresa ou num empreendimento próprio. Todos nós estamos sujeitos a viver esse tipo de situação.

Vários fatores podem levar um profissional a enfrentar um processo de transição inesperado. Muitos são vítimas de cortes para enxugamento da estrutura da empresa. Outros de situações de mudanças como reestruturações, aquisições ou fusões. Outros ainda se tornam vítimas de si mesmos, pois relegaram a segundo plano a gestão da própria carreira e do autodesenvolvimento. E não podemos nos esquecer daqueles que se tornam displicentes em relação a força exercida pelo jogo político nesses momentos, subestimaram a importância do marketing pessoal – “Branding” – e das alianças estratégicas. Enfim, motivos não faltam.

O trabalho empreendido com cada profissional é muito semelhante e pode ser dividido nas seguintes etapas principais:

РDesmistifica̤̣o da demisṣo e a reconstrṳ̣o da autoestima.

– Planejamento financeiro.

– Preparação do currículo, das referências pessoais e do pacote de remuneração.

– Prospecção de novas oportunidades no mercado de trabalho utilizando os vários canais de busca – headhunters, internet, networking, anúncios de jornais e revistas especializadas.

-  Aprendizagem sobre como fazer entrevista de impacto com o auxílio de vídeo gravado de várias simulações.

РNegocia̤̣o salarial.

Mas, a despeito de todo o esforço empreendido, presenciamos todo tipo de “search”. Vemos profissionais com suas agendas completamente lotadas com novas entrevistas, enquanto outros se dizem “desesperados” porque não são capazes de gerar uma única oportunidade. Alguns recebem ofertas de trabalho irrecusáveis logo nos primeiros dias de prospecção, enquanto outros não enxergam nenhuma luz no final do túnel durante meses seguidos. É comum algumas pessoas serem chamadas pela mesma organização para a sétima entrevista seguida, enquanto outros não passam sequer da primeira, pois são rapidamente desqualificados. Aqueles que partem sem titubear para a busca de um novo trabalho e se utiliza de uma estratégia eficiente são os chamados job hunters, ou caçadores de trabalho. Eles cuidam de cada etapa do seu processo de recolocação e não se descuidam nunca.

Diante dessas realidades distintas, indagamos: será que executivos que são ignorados ou descartados pelo mercado são inferiores em suas qualificações pessoais, profissionais e acadêmicas quando comparados àqueles que são bem-sucedidos? Minha experiência mostra que muitas vezes não é esse o caso. Será uma questão de pura sorte? Também não. O acaso não existe, pelo menos, nos casos dos quais participei.

Se é assim, onde está a diferença? A diferença reside em vários fatores, distintos e plenamente observáveis nos profissionais bem-sucedidos:

Eles cultivam uma atitude positiva e construtiva nessa nova fase da vida. Nenhuma empresa seleciona profissionais pessimistas, negativistas e mal humorados. A razão é muito simples: eles contaminam e corroem a organização.

São objetivos e focados. Durante o período de transição, eles têm em mente apenas um objetivo – a sua recolocação. Além disso, não delegam o sucesso de seu empreendimento ao consultor por mais preparado que este o seja. A recolocação é um projeto apenas seu. Consequentemente, eles não perdem tempo se queixando que o mundo não lhe dá uma oportunidade. Afinal, sabem que a sociedade não lhe deve um emprego, pois não há espaço para paternalismo no mundo atual.

Eles não entram em pânico e são resilientes. A demissão não representa uma ameaça a sua carreira. Ela é percebida como uma oportunidade para torná-la mais competitiva e atraente ao mercado de trabalho. Não importa o quanto tenham ficado tristes e decepcionados inicialmente com a noticia da demissão, eles logo se refazem totalmente em todos os sentidos. Sabem que não podem ficar presos ao passado. O que importa é olhar para o futuro com autoconfiança e dar a volta por cima.

Eles são realistas e não se deixam deslumbrar, apesar da autoconfiança e da certeza de um futuro melhor. Os perdedores, em contrapartida, agem de maneira oposta. Eles criam expectativas elevadas e se frustram quando elas não são parcial ou totalmente satisfeitas. É nesse instante em que eles ficam desanimados, desmotivados e, muitas vezes, se perdem.

Eles fazem marketing de guerrilha. Nem sempre os mais qualificados e os mais preparados vencem a corrida por novos postos de trabalho ou posições. Em geral, as oportunidades são comumente dadas àqueles profissionais que sabem se posicionar como solucionadores de problemas e construtores de uma nova realidade – eles sabem gerar lucros para as organizações, reduzir custos operacionais, e torná-las cada dia mais competitivas por meio de ações criativas. O mercado favorece apenas aqueles que sabem construir e valorizar a própria marca pessoal. A idéia de “personal branding” não é a projeção de uma imagem falsa e divorciada de conteúdo, mas sim a visão e a compreensão do valor e das qualidades que os tornam únicos, distintos e diferenciados dos demais que competem por um numero cada vez menor de oportunidades.

Eles elaboram um plano de trabalho detalhado e o seguem com a determinação de um guerrilheiro. Esse plano contempla todas as atividades a serem desenvolvidas e seus objetivos ao longo do período de transição. Portanto, nada escapa de sua mente criteriosa e de sua intuição e inteligência de marketing.

Eles diversificam suas atividades nessa fase de sua vida. Reforçam e ampliam o círculo de suas amizades, escutam suas músicas favoritas, aprofundam sua leitura sobre os mais diversos assuntos – filosofia, literatura, história, psicologia etc., praticam diferentes modalidades de esporte, conversam e dedicam mais tempo a família, tiram proveito das conversas que desenvolvem com seus consultores e amigos e registram cada episódio da viagem.

Eles são gratos por tudo e a todos. Essa é uma das características mais marcantes de um job hunter de sucesso. Eles são gratos à empresa que lhes proporcionou um outplacement, ao ex-chefe que se ofereceu para fornecer referências pessoais e profissionais, aos pares e subordinados que os apoiaram enquanto durou o vínculo empregatício, aos amigos que os acolheram e os ajudaram a fazer a travessia com destemor, a família que lhes deu além de suporte, um carinho renovado a cada instante.

Que tipo de job hunter você é? Você é capaz de definir? Agora, é a sua vez de pensar e agir. Boa sorte!

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