June 10th, 2009

Estudantes Reacionários e o Marketing

Foto Marcio fernandes-AE

Foto Marcio fernandes-AE

Estes estudantes ingênuos que pela centésima vez protestam na USP estão fazendo o jogo do partidão. São mesmo o retrato do Brasil: querem mais privilégios (já não chega não pagarem mensalidade), impedindo outras pessoas de fazerem cursos online, uma tendência e uma necessidade já incentivada em todo o mundo. Não importa o conhecimento e a capacidade, importa o diploma  da USP. Um pedaço de papel.  É o medo de alguém ter um diploma com o mesmo carimbo que os motiva. Eu prefiro contratar um estudante esforçado da faculdade de Pirituba que um desses acomodados da USP.
Polícia não pode entrar lá, é uma institutição particular, só deles. A comida do bandeijao é ruim, dizem eles, enquanto muitos aqui fora comem o que dá para comer com o salariozinho.

E a cara de pau de xingar, provocar e bater na polícia? É uma atitude idêntica aos políticos e figurões mais conservadores, que mostram a carteirinha e dizem ao policial “você sabe com quem está falando”? Só fazem isso porque sabem que a polícia foi castrada pela esquerda e não vai bater de volta nem impor a lei.

É assustador que jovens assim já estejam totalmente com os mesmos defeitos dos mais velhos, a caça pela “boquinha”, os privilégios sem merecimento, a arrogância sem a virtude, a falta de respeito pela autoridade sem a sabedoria.  Tudo o que a esquerda costumava reclamar da direita, eles fazem mais, melhor e, o que é terrível, mais cedo. São pequenos Malufs, Sarneys, Quércias, só que comunistas.

O que isto tem a ver com marketing? O lado bom do marketing e do desenvolvimento de negócios é a criação de idéias originais e sua implementação de uma forma que ajude a sociedade. Isso pode acontecer com um aparelho de tomografia, um carro mais econômico, um software melhor. No mundo vemos hoje jovens criativos construindo através da tecnologia da informação e da disseminação de idéias que a internet proporciona, invenções geniais. Todo um mundo de web 2.0 está sendo construindo em grande parte por “moleques”. Existe um laboratório de idéias na Hungria, chamado Budapest Kitchen (http://kitchenbudapest.hu/en/about) que conheci ontem, onde as idéias que o pessoal tem são difíceis de serem identificadas como ciência ou arte, de tão originais. O espaço é aberto e  democrático. Pergunte se eles querem voltar ao comunismo por lá, como esses reacionários querem por aqui. Aquela geração vai produzir riqueza e inovação para a sociedade.

Agora, a conclusão: como a gente espera que essa cambada de diretores de centro acadêmico, que buscam um diploma para se encostarem na Petrobrás ou alguma outra estatal, produza qualquer coisa que remotamente vá competir no mercado mundial com idéias como as que vem do Vale do Silício ou (quem diria!) até de Budapest ?

Sociedade